quinta-feira, 3 de abril de 2014

Conselho



Se eu puder deixar meus conselhos, ficarei feliz se um dia segui-los.
É que você tem esse jeitinho meio onipresente, meio prefeito de cidade pequena. Gosta de ser referencia.
Sempre correndo, sempre muito ocupado. "Precisam de mim por aqui. Estão me chamando". O seu tempo não é seu. Tampouco seu tempo seria meu. 

Se eu puder deixar meu conselho, pega teu tempo no ar. Guarda no bolso por uns instantes. Senta e esquece teu tempo. O melhor tempo é o tempo que a gente não sente passar.
Para de correr. Em todos os aspectos. Anda devagar, que a vida já anda rápido demais. Não acelera tanto, menino.

Não tenha tanta vergonha. Se solta, menino, que a hora de ser solto é agora. 
Já te falei pra sorrir. Se eu puder deixar meu conselho, ria! Dê risada de bobeiras, dê risada quando tudo der errado. Dê risada quando seu temakão se desmanchar inteiro de tanto shoyu que você coloca (aliás, se eu puder deixar meu conselho, consuma menos shoyu). 

Se eu puder deixar meu conselho, coma coisas diferentes. Não tenha medo dos sabores. Você gosta de mais coisas do que imagina.

Escute. Você não tem tanto assim a dizer. Ouça com vontade de escutar. Preste atenção, questione, pergunte. Tenha interesse. 

Se eu puder deixar meu conselho, aconselho que seja a pessoa mais feliz do mundo. 
Ame! Mas ame como um amor deve ser amado, mesmo que isso signifique entrega. Se entrega. 
Viva, sinta, sonhe, seja, viaje, observe, vá caminhando. 
Me irritou e me encantou. Despertou o pior e o melhor em mim. 
O que vale é termos vivido. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Ciclo



Talvez eu dê com a cara chão. Há grandes chances disso acontecer porque quando se escolhe um caminho e os obstáculos surgem do nada, talvez você não chegue do outro lado. Talvez você não atravesse a sua estrada. Pode ser que seja uma espécie de sinal, algo me dizendo que não é por ali, sei lá se acredito nessas coisas. Prefiro acreditar em tudo, assim não desacredito em nada.
E mesmo assim tem alguma coisa dentro de mim que me faz continuar caminhando. Sei lá se é meu coração ou se só to andando por inércia. Porque tem horas que a gente fica meio anestesiado e simplesmente "o que for pra ser, será".
E agora eu to assim. Não sei dizer ao certo se é Deus ou se é o destino. Só sei que levo uma coisa comigo: vou cair cinquenta vezes e vou me levantar cinquenta e uma. E aí, que venham os aprendizados, as longas caminhadas, que venham todos os obstáculos. Uma hora eu atravesso essa estrada.
Mas sabe de uma coisa? No final dessa, vai ter outra, e depois outra, e mais outra... E acho que os intervalos entre as estradas desencadeiam nosso crescimento interior. Evolução e aprendizado. Que os ciclos se iniciem e que os mesmos se encerrem.. para o bem da minha alma e da sua.




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Amor a primeira leitura

"Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam."

"- Eu estou apaixonado por você – ele disse, baixinho.                                                  - Augustus – falei.                                                                                                               - Eu estou – ele disse, me encarando, e pude ver os cantos dos seus olhos se enrugando. – Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenar um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você."

"Esse é o problema da dor – o Augustus disse, e aí olhou para mim. – Ela precisa ser sentida."


"Acredito que o universo quer ser notado. Acho que o universo é, questionavelmente, tendencioso para a consciência, que premia a inteligência em parte porque gosta que sua elegância seja observada. E quem sou eu, vivendo no meio da história, para dizer ao universo que ele, ou a minha observação dele, é temporária?"


(trechos) John Green - A Culpa é das Estrelas



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Leveza



Talvez pensem que ela é rasa. Só porque ri de piada sem graça?
Talvez ela seja uma boba, pelo riso fácil. Só porque ela vê graça na vida?

É que ela gosta de leveza. 
E quando começa a ficar pesado, esquece, vai embora.
Não gosta de "talvez", "um dia", "quem sabe". Ela gosta do hoje. Ela gosta do agora.
Ela se permite. Ela já prometeu a si mesma: não vai mais pensar "e se?". 

Sai pra la com esse negócio de "amanhã".
Ela quer ver o pôr do sol na praia e, ao mesmo tempo, quer ver o amanhecer. Porque não ao mesmo tempo? Que maravilhoso seria.  
Ela queria estar aqui e ali e que o tempo a permitisse tudo ao mesmo tempo.

Mas quem é que vai com ela?
É legal a bobeira a dois, aquela que quem olha sente uma pontinha de inveja, porque queria ser bobo também. 
Pra quem for com ela, não diga "talvez possamos ir amanhã". 
Pra quem for com ela, um "estou aqui" até que cai bem.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Deixa a menina



De vez em quando ela tem vontade de escrever.. E ela não vai se preocupar se abusar das reticências..... É que elas estão na vida dela.. E também não vai se preocupar com o excesso de parênteses (mas nao vai ser sempre.... Mas agora foi sem querer).
O que importa? Ela é que não vai se preocupar.
Ele a disse  em outras palavras: "é o encerramento de um ciclo". Não sei se fico triste por eles. Talvez eu me alegre. 
Afinal, aquele a quem ela quer tão bem está indo pra superfície. Finalmente, o seu querido vai respirar. Seu coração se conforta por ele.
Enquanto ele sobe em busca do ar, ela fica querendo mergulhar.
É que ela tem essa coisa profunda de querer se aprofundar... E, mas uma vez, ela se desculpa pela redundância... E pelas reticências.
Mas por que será que o desconhecido tem tanto medo de se deixar mergulhar? 
Ela  quer  conhecer o que tem la no fundo. Será que existe algo lá?
Deixa a menina explorar o que há de bonito em você, desconhecido. 
Deixa a menina. Mal nenhum vai fazer. 
O pior que pode acontecer é ela sair de mansinho a procura do ar.

Mas ai dela se encontrar amor. Nunca mais ela respira.